"As relações étnicos raciais através da história do Brasil"

A SEDUC - Secretaria de Educação, Ciência e Tecnologia de Taboão da Serra - promoveu o lançamento do Programa de Formação Continuada para os profissionais da Rede Municipal de Ensino. O Programa leva o nome de " Redes, Saberes e Identidade".

terça-feira, 26 de abril de 2011

TEXTO DE RFELEXÃO- OLHAR INDIGENISTA


Um olhar sobre os indígenas brasileiros.

A escola é  acima de tudo organizada  para formar cidadãos que vão conviver numa  sociedade multicultural. A formação de um cidadão do mundo, num planeta completamente interligado  exige entender o diferente sem julgamentos de valores morais ou religiosos. Por outro lado , perceber   a diferença  muitas vezes gera o desejo de explicar, ou entender a diferença.  Como afirmou Einstein : tudo depende do ponto de vista.
Ao longo dos anos fomos fortalecendo a memória do “inconsciente coletivo”, sobre as questões indígenas, onde as visões estereotipadas oscilaram e oscilam  entre a concepção romântica de um indígena puro, inserido na natureza, ingênuo  e um índio bárbaro, selvagem e preguiçoso, empecilho para o progresso.
A primeira idéia que a maioria dos brasileiros tem sobre os índios é de que eles constituem um bloco único , com a mesma cultura, compartilhando as mesmas crenças e língua. O Tupinambá, o Mura, o Cariri Xocó, o Coropó , deixam de ter e ser cada qual em sua etnia, para se transformarem no “índio”, isto é, no “índio genérico”, aquele que se move em seus tambores, maracás , colares, pinturas corporais, danças ao redor do fogo.
Considerar as culturas indígenas como atrasadas e primitivas é um grande equívoco. Os povos produziram e produzem   saberes, ciência, arte refinada, literatura, poesia, música e religião. Muitos grupos indígenas realizaram experimentação genética com plantas, diversificando e enriquecendo as espécies. Só na região do rio Uaupés, afluente do Rio negro, no Amazonas, uma pesquisadora americana, Janete Chernella, em 1986, identificou  137 cultivares diferentes de mandioca entre os índios  Tukano.
O nosso maior desafio como educador, é perceber a figura do índio como sujeito da história, como sujeito que compartilha com os demais brasileiros o direito de ser e estar na sua terra brasilis.  Paulo Freire alerta sobre o perigo de considerarmos o outro, o diferente em nossa sociedade, como alguém que precisa de algo, demandando alguém que faça por ele, que aja por ele. Devemos ir além do olhar, refletindo  também que o Brasil não conhece o Brasil, penetrando nas mil faces e na possibilidade de uma só pátria, sem hegemonizar o pensamento e a identidade.
Nesse ritmo, a história possui uma oportunidade de ser tecida de outra forma, buscando a perspectiva étnica ,perpassando pela organização dos currículos escolares consagrado pelos novos saberes e significados, ordenando de modo significativo, sem apego exclusivo em datas comemorativas, efetivando a lei 11.645/2008, que alerta o artigo 26-A da LDB.
Só transformamos aquilo que verdadeiramente é importante para o nosso caminhar, portanto como educador só poderemos desconstruir o imaginário coletivo, observando o Brasil além da “terra a vista”, porque corpo e território se colam na imagem da “Terra Mãe”, abrindo espaço para uma  afinidade com todos os outros seres que nela habitam, nesse imenso caleidoscópio de relações humanas.


SEDUC- 2011

BIBLIOGRAFIAS
BERGAMASCHI, Maria Aparecida Povos Indígenas & Educação - Porto Alegre, 2008. ( série projetos e práticas pedagógicas).
RICARDO, F. Terras indígenas & unidades de conservação da natureza: o desafio das sobreposições. São Paulo: Instituo Sócio –Ambiental, 2004.
CARNEIRO DA CUNHA, M. Antropologia do Brasil: mito, história e etnicidade. São Paulo. Brasiliense/ EDUSP. 1986.
CALLEFI. P. Índios no século XXI. In: Diálogos Latinos Americanos, Dinamarca, Centro de Estudos. Universidade de Aarhus. 2003.
SCANDIUZZI, P.P.Educação indígena X educação escolar indígena: uma relação etnocida em uma pesquisa etnomatemática. São Paulo: Editora UNESP, 2009.
SUGESTÃO DE VÍDEOS
Paulo Freire reflexões  ( Grupo Banzo- 1983- Vivência de Paulo Freire sobre a educação indígena)
Terras Vermelhas - Um grupo de índios Guarani-Kaiowá vive em uma fazenda trabalhando em condições de escravidão e ganham alguns trocados para posarem de atração turística. Eles decidem reivindicar a devolução das terras de seus ancestrais e começa um grande conflito com os fazendeiros

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